A crise internacional vai tomando dimensões muito maiores do que as inicialmente esperadas, especialmente nos Estados Unidos. A quebradeira de instituições e empresas deixou de atingir apenas os bancos, para se espalhar para todos os setores, incluída a atividade seguradora, cujo caso mais espetacular foi a salvação da AIG por parte do governo, que, em troca de um aporte de 85 bilhões de dólares, na prática, nacionalizou a companhia, ainda que, em princípio, temporariamente.
O dado curioso é que o grupo empresarial não entrou em dificuldades pela sua atuação como seguradora, mas em função de aplicações de alto risco, feitas por sua unidade de investimentos.
Depois da intervenção na AIG, o governo já socorreu outros grandes nomes de “Wall Street”, sem que, todavia, tenha conseguido estancar a hemorragia.
De outro lado, a situação da economia européia não é boa, com problemas mais ou menos sérios atingindo Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália e Espanha, ou seja, as principais economias do bloco, comprometendo as taxas de desenvolvimento da região, ameaçadas por inflação e recessão, concomitantemente.
O resultado da soma de más notícias tem sido a queda consistente das bolsas de valores no mundo inteiro. A BOVESPA não é exceção à regra e o valor da maioria de seus papéis apresenta perdas significativas, em comparação com os preços praticados no final de 2007.
De seu lado, o dólar, que vinha perdendo valor há muito tempo, em pouco menos de uma semana deu um salto para cima, beirando inesperadamente e de forma muito mais rápida do que a previsão mais pessimista, a casa dos 2 reais.
Ou seja, o Brasil não está a salvo do cataclismo. Ainda que menos exposto do que Estados Unidos, Europa e Japão, e mesmo do que os outros países chamados “Brics”, o país faz parte da economia globalizada e fatalmente será atingido por ondas e marolas, que já podem ser sentidas na sangria de dinheiro internacional das aplicações brasileiras, especialmente da bolsa de valores.
O Banco Central do Brasil tem se movimentado com cautela e de forma preventiva, visando manter o cenário positivo por que passa a nação. Entre suas últimas ações merece destaque o afrouxamento das reservas compulsórias dos bancos, dando um refresco de algo próximo a 13 bilhões de reais para evitar eventuais problemas no sistema financeiro, especialmente entre as instituições menores, mais sujeitas a eventuais dificuldades de caixa.
As seguradoras em operação no país são obrigadas a aplicar a imensa maioria de suas reservas em títulos públicos do Governo Federal. Isto impede que uma situação parecida com a norte-americana se repita, protegendo os segurados de um eventual agravamento da crise.
Como a economia interna ainda está aquecida, o ano de 2008 deve fechar com a maior parte dos balanços do setor com números altamente positivos. Ou seja, ao longo de 2008 as seguradoras devem ganhar bastante dinheiro, tanto em função do próprio negócio, como em função das altas taxas de remuneração pagas pelos títulos brasileiros.
A pergunta que fica é como será 2009. Com certeza o cenário internacional estará longe da maré de riqueza que banhou o mundo ao longo dos últimos 15 anos. De uma forma ou de outra, esta piora do quadro afetará o Brasil, ainda que, provavelmente, de forma bem mais branda do que a maioria das nações do hemisfério norte.
Então, repetindo a antiga máxima do velho pescador: Quando tubarão sai para nadar, baiacu fica na toca.
Ter cuidado na escolha da seguradora sempre foi fundamental. Mas em época de cachorro magro, este cuidado fica ainda mais importante.