Os recentes movimentos de associação sentidos pelo mercado segurador brasileiro trarão mais do que uma simples mudança de ranking ou de poder de fogo de algumas seguradoras.
Eles obrigarão a revisão das estratégias da maioria dos grupos que atuam no segmento, inclusive no que tange a cobertura do território brasileiro, grande demais para algumas companhias que tinham ambições nacionais e que, a partir de agora, ficam mais pressionadas, pela quase que certa entrada mais funda do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal na área de seguros.
O desenho do setor, apesar de não estar consolidado, tem uma forte chance de ter nas cinco primeiras posições Bradesco, Itaú-Unibanco/Porto Seguro, Banco do Brasil, Caixa e Grupo Santander Brasil.
Como será a configuração final não tem importância. O que precisa ser levado em conta é que estes grupos, atuando direta ou indiretamente, ocuparão os espaços nacionais de seguros de massa, com fôlego também para atuar em determinados negócios diferenciados, seja pelo tamanho dos riscos ou pela especialização na carteira.
Mas as mudanças não param por aí. A chegada do microsseguro fará com que novos canais de distribuição ganhem importância, dividindo com corretores e agências bancárias o grosso da colocação dos seguros.
Não tem como ser diferente. A maioria dos corretores de seguros não tem condições de variar a produção atual. Para eles, o cenário fica complicado pela concorrência que os cinco grandes grupos farão, em primeiro lugar entre si e, em segundo, pela utilização pesada de sua rede de agências.
De outro lado, em favor deles e das seguradoras que ocuparem os espaços decorrentes dos movimentos dos grandes bancos, surge a possibilidade concreta da criação da figura do agente de seguros.
Na Europa e nos Estados Unidos os agentes são, há décadas, um dos principais canis de distribuição das seguradoras.
Com desenho diferente dos corretores de seguros e com uma vinculação muito mais estreita com a companhia parceira, o agente de seguros é o caminho natural para certo número de corretores de seguros habituados a trabalhar em parceria estreita com uma companhia.
Tipificada legalmente a figura, estes profissionais, sem perderem a confiança de seus clientes, poderão atuar com produtos e serviços diferenciados, bancados pelas seguradoras interessadas em montar redes de agentes.
O que não pode acontecer é o corretor ficar esperando que as seguradoras o procurem. A oferta é maior que a procura. Assim, movimentos iniciados imediatamente têm mais chances de sucesso do que aqueles que forem esperar a lei regulamentando o agente.
De outro lado, as seguradoras também devem iniciar a montagem de suas redes de agentes. Se demorarem muito, perderão um tempo precioso, deixando de ocupar espaço num universo onde não existe o vácuo.
Se qualquer brecha é imediatamente ocupada, já nos dias de hoje, o que dizer quando a concorrência, além de esquentar a procura por produções já existentes, levar o setor a desenvolver produtos novos, capazes de alavancarem a captação da produção atual, oferecendo outras coberturas e preços, como diferenciais para justificar a mudança?
É tempo de muito trabalho. Quem não começar a planejar imediatamente e a agir em seguida perderá o bonde, num cenário em que qualquer perda será difícil de ser recuperada.