Home
:. home :. mapa do site
:. sindicato
:. empresas
associadas
:. biblioteca
:. notícias sindsegsp
:. informações
do setor
:. sala de imprensa
:. conhecendo
seguros,
previdência e
capitalização
:. estatísticas
:. agenda
:. fale conosco
:. links
  Sala de imprensa: Colunistas
   
Antonio Penteado Mendonça
Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.
A favela e o microsseguro

O recente incêndio que destruiu uma favela no bairro do Jaguaré, em São Paulo, traz em si traços dramáticos, suficientes para fazer o coração mais duro amolecer. A começar pelo fogo - pelas imagens do fogo - destruindo os barracos, transformando o que era uma comunidade, primeiro num braseiro, depois num enorme amontoado de entulho imprestável, terminando nas lágrimas de pessoas que perderam tudo - e este tudo era muito pouco - não há como não se comover.

A diferença entre a miséria e a pobreza é que na pobreza há dignidade. A miséria leva o ser humano para patamar abaixo da maioria dos bichos, envergonhando a raça e abrindo um claro moral que compromete a crença no homem bom, ou no ser humano feito à imagem e semelhança de Deus.

O que as imagens cruas das televisões mostraram foi suficiente para garantir picos de audiência, prendendo a atenção dos telespectadores durante toda a tarde e começo de noite em que as chamas fizeram seu serviço, devorando a favela.

Mas se as cenas do incêndio são dramáticas em sua crueza, expondo a fragilidade humana diante de forças que não controla, a idéia do depois destas centenas de famílias é muito mais brutal.

A primeira alternativa é a busca por um espaço da prefeitura, colocado à disposição das vítimas para abrigá-las. A segunda é pura e simplesmente a falta de alternativa para o momento depois do abrigo da prefeitura.

Não cabe ilusão. Em algum momento não muito distante, estes desabrigados, por uma razão ou outra, começarão a deixar o abrigo oferecido pela municipalidade e aí vem a pergunta: para onde?

Para outro terreno invadido, dando origem a outra favela? Para barracos de parentes, até construírem os próprios barracos próximos deles? De volta para terras distantes, de onde saíram embalados pelo sonho de uma vida melhor?

Todos os cenários são degradantes, diminuem o homem diante da vida, ameaçam sua existência com desafios além de suas forças.

Estas pessoas perderam tudo e não têm a quem recorrer para recuperar o que perderam.

Tanto faz se tinham alguma coisa. Depois da destruição do barraco, não sobrou mais nada do pouco amealhado, na imensa maioria das vezes com trabalho honesto, ainda que humilde, ou além do imaginável para qualquer cidadão da classe média.

 E, no entanto, existe uma alternativa eficiente e barata para dramas desta natureza. Não que seja possível impedir que um incêndio de grandes proporções destrua uma favela, mas é possível minimizar os prejuízos, garantindo às vítimas os meios necessários para retomarem a caminhada, sem terem que retornar para a miséria.

A ferramenta se chama microsseguro e está madura para ser implantada. Se o Governo se sensibilizar com dramas como a destruição da favela do Jaguaré, é fácil e barato implantar um sistema de seguros capazes de fazer frente a estes riscos.

Dando uma ordem de grandeza para facilitar o entendimento, se cada barraco destruído tivesse, entre a construção e o conteúdo, um valor médio de R$ 20.000,00, o total das indenizações para os 300 barracos devorados pelo fogo seria de R$ 6.000.000,00, ou seja, menos do que o valor de um pequeno prédio.

Com este dinheiro, as famílias teriam condições de recomeçar, sem necessitar de muito apoio do Poder Público. Elas seriam pobres, teriam perdido quase tudo, mas, graças à indenização do seguro, preservariam a dignidade, com tudo de essencial ao ser humano que este conceito traz consigo.

:. topo .::. voltar ao índice de colunistas .:
 
:. Notícias
:. Notícias anteriores
Data
Palavra-chave
:. Artigos
:. Colunistas
:. Assessoria de
imprensa
:. Fórum
:. Chat