A marolinha prevista pelo presidente Lula vai se transformando numa bela onda, com corte para os dois lados, prometendo um grande 2010 para a economia brasileira. A verdade é que, ao longo de 2009, ao contrário dos países desenvolvidos, o Brasil fez bonito, toureando uma crise que poderia ser séria, mas que, ao mostrar a cara, não abalou os alicerces nacionais. Pela primeira vez nos últimos 30 anos uma crise internacional não nos pegou de calça curta, não derrubou a moeda, nem estourou nossa dívida externa.
O Brasil termina o ano pronto para retomar o crescimento nos mesmos patamares anteriores a outubro de 2008. Alguns setores da economia, inclusive bateram recordes de produção em 2009, aquecendo os músculos da economia e deixando-nos preparados para entrar em 2010 a todo vapor.
Dizer que a nação não sentiu o tranco seria faltar com a verdade. No primeiro semestre o mar não esteve para peixe e vários segmentos experimentaram forte desaceleração, com desemprego e retração da atividade. A pancada atingiu mais a indústria paulista, o que pode ser comprovado pelos indicadores da FIESP, durante grande parte do ano com resultados ruins, apontando um cenário pessimista, que vai mudando de cara, prometendo para 2010 uma retomada acelerada da capacidade de produção.
A atividade seguradora em 2009 ficou à margem da depressão. O setor não sentiu nenhum impacto muito severo e os números do ano devem fechar bem próximos aos do fechamento de 2008.
Muito provavelmente o crescimento do seguro saúde e dos planos de previdência privada aberta deve ficar abaixo do experimentado no passado recente. O primeiro foi afetado pelo desemprego na indústria e os segundos, além do impacto do desemprego, sofrem com a queda real da taxa de juros, que obriga as operadoras a reverem suas tarifas de administração, sob o risco de deixarem de ser competitivos.
Mas se toda moeda tem pelo menos dois lados, o lado bom é que, com a retomada da atividade econômica em níveis elevados, estes produtos passam a despertar de novo a atenção do cidadão, interessado em proteger a família e fazer um investimento de longo prazo seguro e rentável.
Com a retomada do crescimento a renda “per capita” deve subir rapidamente, permitindo que o consumo também cresça, gerando novas necessidades de proteção e, portanto, incrementando a venda de seguros novos, em complemento ao já comercializado pelo mercado.
Neste cenário não é pretensão dizer que o faturamento da atividade seguradora tem tudo para mudar de patamar rapidamente. Ao longo de 2010 as novas demandas por seguros podem elevar a participação percentual do setor no PIB, projetando para os próximos cinco anos um cenário francamente favorável e suficiente para nos colocar nos mesmos níveis dos países latinos mais desenvolvidos.
Por outro lado, o setor passa por profundas modificações, tanto do lado das seguradoras, como dos canais de distribuição.
A concentração das companhias de seguros é inevitável e o surgimento de outras formas de comercialização das apólices também. Em pouco tempo teremos apenas cinco grandes grupos seguradores nacionais, o que obrigará as demais companhias a encontrarem novos focos de negócios, seja pela regionalização, seja pela especialização.
Esta mudança de cenário fará com que outras formas de distribuição ganhem consistência, competindo com os corretores de seguros atuais. Entre elas, com certeza, agentes de seguros, redes varejistas, cartões de crédito e internet ganharão espaço, forçando uma melhor definição de quem é quem na distribuição dos seguros.
Em outras palavras, 2009 acaba bem, deixando tudo pronto para que em 2010 a atividade comece o ano aquecida, devendo se desenvolver ainda mais, e de forma mais consistente, ao longo do período.