A operação de seguros é uma atividade sofisticada, pautada em padrões éticos elaborados, típicos das sociedades mais avançadas e organizadas.
Desde o mais remoto sinal de algo parecido com a atividade seguradora moderna, há mais de quatro mil anos, na Mesopotâmia, os pressupostos que embasam a operacionalidade da idéia são solidamente focados na proteção social, envolvendo os conceitos de solidariedade, proteção individual, repartição das perdas, mutualismo e desenvolvimento social.
Nestes cinco princípios estão plasmadas as condições essenciais para a viabilização do grupo e seu desenvolvimento através de mecanismos consistentes de reforço dos princípios básicos que originalmente o uniu.
Não é pouco, mas não sei se é o lado mais belo de uma atividade econômica importante, que aos olhos do leigo parece fria e calculista. Tomando os princípios elencados acima, fica claro que o seguro tem como pilares conceituais o que há de mais belo dentro do ser humano e que é a base das sociedades organizadas bem sucedidas.
Começando pela solidariedade, que sentimento pode ser mais nobre do que seres humanos estarem lado a lado na aventura da vida, comprometidos radicalmente com o bem estar mútuo? O que pode ser mais belo do que, num momento de necessidade, quando alguém atravessa uma dificuldade, uma mão se estender e dar-lhe o suporte possível, às vezes até acima das possibilidades daquele que busca auxiliar?
Mas indo além, o seguro visa proteger o indivíduo. A razão de ser da atividade é permitir que o integrante do grupo atingido por uma perda tenha condições de se recuperar dela. Ou seja, através da operação de seguros a sociedade se protege, protegendo diretamente aqueles entre seus componentes que sofrem uma perda patrimonial ou de capacidade de ação.
O princípio que norteia a forma como a proteção individual se dá é a generosidade. Não a generosidade inconseqüente do pródigo, mas a generosidade como função social. O seguro protege o individuo pela repartição dos custos da sua perda entre todos os integrantes do grupo. É a socialização dos prejuízos individuais que faz com que estes, através da divisão proporcional entre os integrantes do grupo, sejam suportados sem onerar demais a coletividade.
A forma como isto se dá é o mutualismo. A constituição de um fundo ou uma conta, integralizada de forma proporcional à proteção recebida por cada um dos integrantes do corpo social.
O resultado da ação é a manutenção das condições de competitividade, indispensáveis para a sociedade prosseguir em sua jornada rumo a uma melhor qualidade de vida.
No dia a dia, na correria gerada pela vida moderna, nem sempre este quadro se apresenta claro para quem milita com seguros. Invariavelmente a idéia da atividade fria e calculista, baseada em tabelas e tábuas estatísticas, se sobrepõe ao realmente importante, que é a base ética sobre a qual o negócio é desenvolvido. Sua razão de ser, seus objetivos e os princípios que lhe dão suporte.
Uma análise calma, boa de ser feita quando o ser humano se torna mais introspectivo, como acontece nos finais de ano, mostrará que a atividade seguradora é, sob qualquer parâmetro ético ou social, o que há de mais nobre entre as atividades econômicas desenvolvidas pelo ser humano. De outro lado, sua relevância para o cotidiano da humanidade pode ser medido pelas centenas de bilhões de dólares anualmente pagos a título de indenização de sinistros, ou seja, para proteger o indivíduo e, através dele, proteger e viabilizar a sociedade.
Parabéns e um grande ano de 2010 a todos que direta ou indiretamente militam em seguros.