2010 tem tudo para ser um ano interessante. Como na China uma das piores pragas é desejar ao desafeto que viva em tempos interessantes, temos pela frente um cenário complexo, que já começou acelerado, com impactos em todas as pontas da atividade seguradora.
Começando pelo faturamento, na medida em que a economia brasileira deve retomar o crescimento, é certo que o crescimento dos prêmios se dará de forma acentuada, principalmente em relação ao crescimento de 2009.
O alargamento dos prazos de financiamento de todos os tipos e para todos os bens terá impacto positivo nas contas nacionais. Por conta dele, a indústria automobilística deve manter o ritmo, a linha branca deve continuar crescendo e, principalmente, a indústria da construção deve experimentar um desenvolvimento inédito, em patamares jamais vistos na história brasileira.
Todas estas atividades econômicas são geradoras de seguros, diretos e indiretos. Entre os seguros diretos, as apólices patrimoniais, destinadas a garantir o próprio bem, e as apólices de vida, destinadas a garantir os financiamentos, com certeza serão destaque, puxando o crescimento das respectivas carteiras.
Além delas, entre os seguros indiretos, as apólices para os funcionários das empresas industriais e comerciais também devem apresentar desenvolvimento mais expressivo do que no ano passado.
Retomada do crescimento econômico significa retomada da contratação de mão de obra com carteira assinada, o que significa maior contratação de seguros de vida, acidentes pessoais, planos de saúde privados e planos de previdência complementar aberta.
Além disso, significa também maior procura de proteção por parte da população. Com maior poder aquisitivo, o brasileiro deve comprar mais e este patrimônio, independentemente dos seguros obrigatórios decorrentes dos financiamentos, precisa ser protegido por apólices a favor do proprietário.
Finalmente, as obras para exploração do pré-sal e para adequação do país para Copa do mundo e Olimpíadas devem gerar bilhões de reais em investimentos que precisam ser segurados.
A soma destes elementos será positiva para o setor e é de se esperar que, ao longo do ano, a atividade apresente índices de desenvolvimento bastante elevados ou, pelo menos, acima da média do crescimento da economia nacional.
Mas toda moeda tem dois lados. E o ano também começou quente no que diz respeito ao lado dos sinistros. Os eventos de origem climática, ainda que não sendo diretamente segurados, terão impacto negativo nas indenizações dos seguros de vida, acidentes pessoais, planos de saúde privados, imóveis e veículos.
Também o aumento do número de acidentes nas rodovias deve impactar negativamente as carteiras de veículos, pessoas e planos de saúde.
A manutenção das altas taxas de roubos e furtos deve continuar afetando carteiras como transporte rodoviário de carga e roubo, nas modalidades residencial e empresarial, indistintamente. É regra de seguro que o aumento dos prêmios não é seguido na mesma proporção pelo aumento dos sinistros. Pelo contrário, quanto maior a base segurada, proporcionalmente menor a incidência dos sinistros.
Neste cenário, não há porquê o negócio de seguro não ser bom para todos, mas acima de tudo para uma nação chamada Brasil. |