No dia 11 de janeiro de 2010 aconteceu uma assembléia da Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro que pode se transformar num divisor de águas da maior importância para a representação da atividade seguradora nacional. Convocada pelo deputado José Carlos Stangarlini, seu presidente, a assembléia se diferenciou da média deste tipo de evento pela coragem de colocar em pauta a discussão do futuro da Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro: se permanece como está, se busca uma fusão com outra entidade ou, eventualmente, se deve ser liquidada.
O dado importante é que a Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro é uma organização com 57 anos de existência e que, durante algumas décadas, prestou os mais relevantes serviços à atividade seguradora, sendo, inclusive, o berço da Escola Nacional de Seguros - Funenseg, que, nos dias de hoje, – guardadas as proporções - desempenha função semelhante à que a Sociedade desempenhou nas décadas de 1960 a 1980.
E o drama está aí. Com a profissionalização da Funenseg e com a redefinição do sistema de representação patronal das seguradoras, empresas de previdência privada aberta, capitalização e planos de saúde privados, parte das entidades e organizações que durante muitos anos prestaram os mais relevantes serviços para o desenvolvimento do setor de seguros se viram esvaziadas.
Em boa medida perderam a razão de ser, exceto permitirem a seus dirigentes se sentarem nas mesas das autoridades nos eventos do mercado. Em função do número de organizações existentes, um importante executivo, certa vez, chamou a atenção para o fato de que a mesa das autoridades, invariavelmente, acomoda mais pessoas do que as mesas da platéia, destinadas aos simples participantes.
Ao longo dos anos, o mercado se acostumou a ver as seguradoras pagarem os eventos promovidos por parte destas organizações.
Mas o setor de seguros passou por profundas modificações e o resultado foi o enxugamento do número de seguradoras, a profissionalização em padrões internacionais da gestão destas companhias e a necessidade de um objetivo consistente para justificar um investimento em dinheiro.
O foco, atualmente, são eventos que tenham contribuições concretas para o setor, seja pelos temas abordados, seja pela disseminação e pelo alcance de seus resultados.
A Assembléia da Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro discutiu francamente a situação e concluiu pela nomeação de uma comissão que deverá, em 90 dias, apresentar um parecer para uma nova Assembléia Extraordinária, que, com base nele, tomará a decisão final.
Em princípio, ninguém deseja o fim de uma entidade como ela. Afinal, sua história é importante para o mercado estar no patamar atual. Mas, neste mundo, onde nem mesmo os deuses são eternos, o que fazer com uma organização com finalidade específica que perdeu sua finalidade e não tem dinheiro para se manter?
Estão sendo iniciadas sondagens junto a outras entidades semelhantes para ver da conveniência e possibilidade de fusão entre elas. Se a fusão for um caminho viável, seja bem vinda. Mas se não tiver como, então, antes que um final absolutamente melancólico venha empanar o brilho e a importância de uma organização com uma rica história em prol da atividade seguradora brasileira, é mais sensato votar a sua dissolução.
Mas seja qual for o futuro da Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro, a Assembléia, corajosamente convocada pelo Deputado José Carlos Stangarlini, abriu a discussão muito mais ampla sobre a necessidade, a importância e o que fazer com mais de uma dezena de entidades e organizações existentes no mercado.