Ao longo dos últimos anos o mundo mudou. E a mudança foi radical. Como estávamos no meio dela, demoramos a perceber, mas agora as coisas começam a clarear e é hora de arregaçar as mangas e sintonizar na freqüência do planeta, assimilando as mudanças e tomando as providências necessárias para tocar em frente no novo cenário.
Da segunda guerra mundial para cá, a expectativa de vida do ser humano subiu em todos os lugares, dos mais ricos aos mais pobres, com o Japão já tendo atingido a média de mais de 80 anos. A riqueza também se democratizou. Ainda que com os países ricos ficando mais ricos, continentes inteiros, como Ásia e América do Sul, tiveram uma melhora significativa nas condições de vida de suas populações.
Os meios de produção atingiram uma capacidade jamais vista ao longo da história. As novas tecnologias de comunicação ligam todos os cantos da terra em tempo real. A internet torna acessível a todos os usuários uma gama de informações inédita, pela quantidade e variedade de temas.
Por conta da última crise, nações antes vistas como secundárias passam a desempenhar papel cada vez mais relevante para garantir a estabilidade e o funcionamento organizado da humanidade.
China, Rússia, Índia e Brasil se destacam pelos avanços positivos, enquanto Espanha, Irlanda, Grécia e Portugal ameaçam a recuperação internacional com o fantasma do não pagamento de suas dívidas.
Para completar o quadro, mudanças climáticas cada vez mais radicais modificam a realidade do planeta, com eventos de origem natural chegando a níveis de violência inimagináveis e atingindo regiões completamente desacostumadas aos seus impactos.
Tufões, vendavais, furacões, tempestades, tornados, granizo, chuvas fortes, ventanias, tempestades tropicais, nevascas, enchentes, secas e o mais que se imaginar em eventos de origem climática cobram fortunas das comunidades atingidas. Pragas, doenças, endemias e epidemias se espalham pelo mundo matando e levando pânico. A cada vitória da medicina, surge uma nova ameaça, representada por um novo vírus ou uma bactéria desconhecida ou resistente aos medicamentos tradicionais.
Entre as atividades econômicas mais afetadas está o setor de seguros. Não poderia ser diferente, já que o seu negócio é a proteção da sociedade pelo pagamento das indenizações dos sinistros.
Diz um antigo ditado que não existe risco ruim, existem seguros mal precificados. E é isto que se vê cada vez com mais constância, em seguros com mais de um século de existência.
Ante a nova realidade, as estatísticas que dão suporte para a taxação dos prêmios deixou de ser eficiente. Elas se baseiam em experiências passadas, enquanto os sinistros que exigem indenização não têm mais ligação com o passado. São eventos novos, pelas características, pela ordem de grandeza, pela frequência e pelos locais aonde ocorrem.
Isto quer dizer que é hora da atividade fazer a lição de casa. Se os conceitos, as garantias, os resseguros, as taxas e as políticas de aceitação não forem profundamente revistas, em poucos anos as seguradoras e resseguradoras terão perdido mais do que podem suportar, colocando em risco todo o sistema.
Não dá mais para esperar. Ou as seguradoras, inclusive as nacionais, levam em conta a nova realidade, representada pelo aumento brutal da violência urbana e pelos danos causados pelos fenômenos naturais de origem climática ou não, ou suas taxas serão rapidamente insuficientes para fazer frente às suas obrigações contratuais. |