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Antonio Penteado Mendonça
Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.
As garantias dos seguros massificados
 A Associação Paulista de Técnicos de Seguros realizou na última terça feira um evento muito interessante no auditório do Sindsegsp. Considerações a respeito de sinistros em seguros massificados foi um tema muito bem achado pelo coordenador do evento, José Roberto Macea.

Quando se pensa em seguros, se pensa num contrato individualizado, destinado a proteger um risco único, com características próprias inconfundíveis e aplicáveis apenas a ele. E é verdade. Não existem dois seguros iguais. Por mais semelhantes que os riscos e os segurados sejam, cada um é um e não se confundem, o que faz com que os seguros também não se confundam, dando para cada negócio uma individualização exclusiva e mais intensa do que na maioria dos outros contratos de adesão.

Os seguros podem ser caracterizados por uma série de fatores que colocam num mesmo grupo riscos com as mesmas características. A forma como a análise de cada risco é feita leva em consideração o fim a que ela se propõe, o que faz com que objetos segurados diferentes sejam colocados numa mesma carteira, enquanto seguros diferentes também podem sofrer o mesmo tratamento.

O que interessa para o artigo são os seguros massificados. Quer dizer, produtos para serem vendidos em massa, por terem um desenho amplo, que permite sua comercialização dentro de um largo espectro da sociedade.

Estes seguros se caracterizam pela padronização das condições das apólices, dos canais comerciais, dos procedimentos administrativos e, principalmente, pela regulação e liquidação dos sinistros.

Não há muito que variar de segurado para segurado ou de sinistro para sinistro. Dada a padronização das apólices, as garantias oferecidas são as mesmas, limitadas a valores mais ou menos equivalentes, colocados à disposição dos segurados por um preço mais interessante do que o dos seguros individualizados, justamente pela sua comercialização baseada na quantidade.

De outro lado, a concorrência e o maior conhecimento do seguro pela população está forçando as seguradoras a oferecerem produtos que até poucos anos atrás praticamente não existiam, ou ficavam na prateleira para atender algum cliente muito especial.

Agora mesmo, as chuvas torrenciais, que este ano já atingiram boa parte do sul e do sudeste do Brasil, mostram que há uma enorme carência de cobertura para os danos causados pelas enchentes, solapamento de solo e deslizamento de encostas.
Não adianta mais oferecer seguro com cobertura que não atende as necessidades dos segurados. Qualquer morador da Mooca ou do Butantã, em São Paulo, está muito mais interessado em cobertura contra enchente do que em seguro contra incêndio. Da mesma forma, moradores de zonas montanhosas estão mais interessados em se precaver contra deslizamentos do que contra enchentes. E assim sucessivamente.

E as seguradoras precisam atender esta demanda. Não tem sentido uma nação que se diz protegida por seguros não ter cobertura para os danos que efetivamente ameaçam parte de seu patrimônio e de sua capacidade de ação.

Se o seguro de veículos consegue cobrir os danos decorrentes de furtos e roubos, por que não seria possível garantir cobertura para os danos causados direta ou indiretamente pelas chuvas? Vale lembrar que na cidade de São Paulo acontece um roubo ou furto de veículo mais ou menos a cada 2 minutos e meio e as seguradoras suportam estas perdas sem maiores sacrifícios.

Na base está um produto com condições e preços realistas, suficientes para suportar o mútuo do qual saem os recursos para fazer frente às indenizações.

Fazer a mesma coisa para os outros ramos não é impossível, ainda mais numa atividade sem monopólio de resseguro, o que permite que cada companhia vá a mercado para contratar a melhor proteção possível para seus negócios, levando em conta suas necessidades de limites e transferência de riscos.
Mais que nunca, se o setor pretende que seu faturamento atinja 7% do PIB, é necessário quebrar as barreiras até agora existentes e investir em novos produtos, mais afinados com a realidade dos riscos que ameaçam a sociedade brasileira.
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